me conformei em ter migalhas,
me conformei a ter meus dias iguais,
me conformei em aceitar coisas que não deveria aceitar.
O tempo foi passando e fui me acomodando,
olhando ao meu redor e vendo o mundo mudando,
mas eu sempre ali no mesmo lugar,
amedrontada, como fera machucada que de tudo se assusta.
Até que a dor foi me tomando,
as coisas acumuladas em meu peito foram ficando engasgadas,
já não conseguia mais me acomodar,
falava quando algo me desagradava,
e foi então que as pessoas disseram que eu mudei.
Se espantaram com as atitudes
do que outrora foi uma menina em um sotão assustada,
e que de repente decidiu se transformar em mulher.
Aos poucos fui sabendo separar o que eu queria,
dando às pessoas a mesma coisa que me davam,
nem a mais e nem a menos.
Fui ignorando o que me fazia mal
e construindo pontes onde antes criei muros de dor e angústia.
E nessa mudança de "menina-mulher" foi que te conheci
e vi que as dores que antes me amedrontavam
nada mais eram que falta de amor,
falta de ter um sentimento que me preenchia por completo
e tomava todos os meus dias com sorrisos inesperados,
com ligações no meio da noite,
com simples atitudes que me faziam a menina-mulher mais feliz do mundo.
Hoje sou completa,
sou inteira,
não vivo mais de migalhas,
vivo de você,
por completo,
por inteiro, por amor, amor e apenas amor.
Daiane Jances
