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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Amor e amizade não se imploram



Acho que das coisas que mais doem na vida da gente, se distanciar de um amigo ou um amor é uma delas. Com o tempo a gente passa a ver toda uma rotina indo embora, todos os planos sendo destruídos, toda uma centena de projetos que incluía a outra pessoa, acaba virando poeira. Algumas vezes de forma abrupta, com uma discussão entre ânimos exaltados, que acabam falando além do que deviam, magoando a outra parte e deixando um vazio irreparável.
Mas acho que a forma mais cruel da separação das pessoas, é aquela que é imposta pelo silêncio. Aquela onde não há palavras, nenhum recado na secretária eletrônica, nenhum sms de bom dia e nem o famoso 'oi' nas redes sociais. É o silêncio que fala, que diz que não somos mais bem vindos, que a nossa presença já não agrada e nossas palavras não são aceitas. É o tipo de separação que não te dá chance de resposta, pois a outra parte finge não te ver. E sermos especiais numa hora e invisíveis em outra dói.
Dói não saber onde erramos, o que dissemos que causou alguma mágoa. Dói ouvir aquela música que antes cantávamos em alto tom, e saber que a outra pessoa já tem outra trilha sonora. Dói acordar de manhã e sentir um vazio, e saber que por não termos mais aquela pessoa em nossa vida, esse vazio vai se prolongar milhares de vezes.
Mas infelizmente amor e amizade a gente não implora. Não podemos fazer com que alguém nos ame, na mesma intensidade nossa. O sentimento que as pessoas nutrem por nós é como um passarinho; não podemos apreendê-lo numa gaiola e impedi-lo de nos deixar. Podemos fazer que as pessoas se sintam bem ao nosso lado e tenham motivos para voltar ao nosso ninho. Mas se não se sentem mais felizes conosco não há nada que possamos fazer.

Daiane Jances

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Saudade e Distância




Já dizia um poeta: "saudade é um pouco como fome, só passa quando se come a presença". Mas e quando não há a presença se faz o quê? Se a saudade fosse de alguém perto, que a gente atravessa a rua e dá na frente do portão, mas não, com tantas pessoas no mundo você tem que sentir saudade de alguém a milhares de quilômetros. E ainda por cima, um tipo de saudade mais diferente ainda, aquela que você sente sem nunca ter tido a oportunidade de experimentar. Parece coisa de doido, e talvez um dia a ciência explique, mas sinto saudade do que não tive, de estar perto de alguém de quem nem ao menos sei o perfume (será que cheira bem?), beijos que não experimentei, mãos que nunca toquei, carinhos que não recebi. Coisa de menina adolescente né? Seria se eu não estivesse na casa dos 30. E antes que digam que não tive adolescência, retifico que tive sim, talvez não tão aproveitada como a de meninas de hoje em dia, mas aproveitei na medida que minha timidez me permitiu. Saudade de ouvir a voz, a risada gostosa, a respiração compassada ao fundo no telefone. Saudade de passar horas e horas conversando, aquela conversa gostosa que começa com física quântica e termina no Bob Esponja, sem eira nem beira, mas com um envolvimento sem igual.
É... saudade é como fome mesmo. Deixa um vazio, uma sensação ruim, parece que o dia não está completo, como se a gente esquecesse algo importante e não soubesse o quê. Talvez a gente até saiba o que, a gente esqueceu o coração em algum lugar, um lugar bem distante da gente, onde nunca estivemos, onde talvez um dia a gente nem vá estar, ou vá, só o tempo pode dizer. Esquecemos nosso coração na mão de alguém, essa pessoa a milhares de quilômetros. E tomara que ela cuide bem dele até nos devolver, até a gente matar essa fome, essa fome de codinome "saudade".

Daiane Jances