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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Amar será isso?

Hoje me perguntaram se eu estava namorando, e eu respondi que sim. Perguntaram-me também se eu amava meu namorado, minha resposta foi objetiva: NÂO. Com cara de susto, e sem entender como alguém está com uma pessoa sem amar, expliquei a minha história, que vou tentar escrever nessas linhas: longa, até mesmo confusa, mas que preciso colocar para fora de uma vez, pra ver se assim como no livro do Paulo Coelho, “Nas Margens do Rio Piedra, eu Sentei e Chorei”, talvez escrevendo eu consiga dissipar tudo o que sinto.
Sou uma pessoa que conheci o amor tardio, com 28 anos amei pela primeira vez de verdade, aí talvez surja a pergunta: “como assim? não houveram outros homens antes?”, sim houveram, mas nunca havia sentido por nenhum deles o que senti, nunca havia tido a certeza que era amor, tanto que nem “te amo” nunca havia dito antes, pra nenhum homem que não fosse da minha própria família ou que fosse meu amigo, sempre trouxe comigo que o “eu te amo” era algo muito importante, que não deveria ser dito a toa, talvez por isso só disse isso pra um homem, e talvez nunca mais diga de novo para outra pessoa com o mesmo sentido.
Eu o conheci num período difícil da minha vida, num momento que estava frágil e que já tinha até pensado em cometer loucuras. Estava saindo de um relacionamento conturbado de três anos, onde eu havia sido traída, de uma forma cruel, que tinha me deixado completamente exaurida e estava totalmente desiludida de amigos, amor, de tudo. Entrei sem querer num site, desses de perguntas e respostas, procurando sobre algo do meu trabalho. Vi que ali tinha diversos tipos de questões e que falavam de tudo. Abri uma conta e comecei a perguntar sobre coisas que me afligiam, sobre o que fazer para sarar aquela dor que me angustiava, para trazer de volta minha alegria de viver.
Como tudo na vida acontece por acaso, eu encontrei uma pessoa que me chamou a atenção. Não sabia nada sobre ele que usava uma figura conhecida como avatar, que trazia no nick, o nome de um personagem dos anos 50, que me fazia lembrar do meu pai e de sua fascinação por coisas das épocas clássicas de Hollywood.
Ele nunca respondia minhas perguntas, talvez por se tratarem de assuntos sentimentais, coisas de pessoas deprimidas, que são poucos que entendem. Conforme o tempo passava, eu sentia um misto de antipatia, curiosidade, e ao mesmo tempo encantamento, por aquele que parecia ser tão duro naquilo que dizia, e ao mesmo tempo tão terno em determinadas situações. Comecei a prestar mais atenção naquela pessoa tão misteriosa e diferente, até que um dia, de uma maneira estranha, nos aproximamos. Ele e um amigo, abordaram um assunto que me desagrada e me deixa irritada: a mania que as pessoas tem de encontrar defeitos em todos. Bom, não adiantaria entrar muito em detalhes, porque qualquer um que não conheça o mundo do Yahoo Respostas(site de perguntas e respostas o qual entrei) não entenderia o que aconteceu em seguida. Mas o fato é que essa pergunta e essa ocasião foram os fatos que me fizeram aproximar e poder conhecer mais essa pessoa a qual eu admirava.
Começamos a conversar, e a cada conversa eu me sentia mais próxima a ele. Tive uma surpresa ao descobrir a idade dele, apenas 17 anos, ele falava como uma pessoa madura, agia como uma pessoa madura, surpreendi-me ao saber a sua idade, ao mesmo tempo fiquei feliz por poder conhecer alguém que mesmo tão jovem, não era como a maior parte dos rapazes nessa idade hoje em dia. Dividíamos os mesmos gostos, a mesma paixão por determinadas coisas, o mesmo pensamento em diversas questões. Cada vez que eu falava com ele, me dava uma alegria inenarrável, me sentia leve, segura, ele me trazia uma paz tão grande que era como se o conhecesse a muito tempo. Eu ficava feliz quando o fazia rir, mesmo com minhas piadas idiotas, enviava músicas que eu encontrava por aí, na intenção de agrada-lo, não, agrada-lo não seria a palavra, eu diria aproxima-lo mais de mim.
Lembro da primeira vez que o vi na foto do msn, moreno, com olhar encantador e um sorriso que desarma qualquer pessoa. Meu coração deu um salto nesse momento, mas não imaginava o quanto isso seria importante pra mim. Ele disse que eu parecia a Celine Dion, (até hoje não sei o quanto de ironia teve nessa frase) e naquele momento fiquei triste, por não ser pelo menos um pouco mais próxima da idade dele. Sentia tanta confiança nele, era como se eu o conhecesse a vida toda, como se aqueles poucos dias que havíamos nos conhecido, fossem anos e mais anos. Um certo dia ele colocou no site de perguntas, um vídeo pra avaliarem sua voz e sua postura, confesso que estremeci e arrepiei quando ouvi a sua voz e vi seu rosto de maneira real, não apenas uma foto fria, mas um vídeo com movimento, com emoção, e o mais importante de tudo, com aquela voz que me fazia esquecer de tudo o que eu tinha passado, que me fazia esquecer a idade que nos diferenciava, a distância que se interpunha entre nós. A voz dele é algo que cativa, que inebria. Algo que gostaria de ouvir por toda a vida se me fosse possível.
No dia do aniversário dele, cinco meses depois de termos nos conhecido, fiz alguns vídeos para dar a ele de presente. Um com amigos o saudando através de textos, um com um texto que eu mesma escrevi, e um vídeo menor, onde eu dizia a ele que o amava. Ainda não havia entendido o que eu sentia, ou talvez tivesse entendido, mas não quisesse aceitar, que o que deveria ser apenas uma amizade, tinha se tornado amor. Eu mandei a ele esses vídeos, os quais ele agradeceu como esperado, mas acho que no fundo, ele sabia que eu estava sentindo algo a mais por ele, pois no dia seguinte ele avisou que iria se afastar da internet, sem previsão de retorno. Não preciso dizer o quanto isso me atingiu, o quanto a simples idéia de ficar distante dele, sem noticias, sem falar com ele todas as noites me atormentou. Perdi o chão, o ar, perdi a noção do que faria, entre lágrimas escrevi um texto a ele, dizendo que havia me apaixonado por ele, que não tinha tido culpa, mas que não gostaria de perde-lo como amigo. Eu poderia perder tudo, mas não poderia perde-lo. Ele havia se tornado importante demais pra mim, havia me trazido de volta ao mundo, me devolvido a vontade de sorrir, a alegria de acordar e colocar um sorriso nos lábios.
Para não deixar o texto gigante (o que já está), vou resumir o que aconteceu nos meses que se seguiram até hoje: ele retornou a internet, muito mais rápido até que o esperado, continuamos a nos falar todos os dias, quando não pelo computador, nos falávamos por telefone, dividíamos sonhos, problemas, ele me contava seus conflitos, eu os meus, e seguimos nossas vidas em rumos opostos, sem nunca perder o contato. Ele foi compreensivo e educado ao dizer que nunca poderíamos ter nada, além de uma boa amizade, e eu sempre estive ao seu lado como amiga. Talvez seja difícil para alguém acreditar, mas eu nunca tive intenção de conquista-lo, ou de tentar ter algo mais além. Talvez eu não tenha sido muito inteligente ao me apaixonar por alguém 11 anos mais jovem, mas se existe algo que sou é sensata. Sempre soube que jamais poderia haver algo entre nós, não sou o tipo de coroa siliconada, da maneira que os garotões possam se apaixonar, muito ao contrário, sou uma trintona com carinha de 40, corpo de 50 semi-obesa e disposição de 60. Sei das minhas condições e limitações, mas sempre me conformei em te-lo ali, ao meu lado, sendo meu melhor amigo, meu confidente, alguém que quando me ligava fazia com que eu esquecesse todo e qualquer problema que me afligia, alguém que me transmitia paz, me deixava serena, e que se eu pudesse fazer algo para que ele nunca fosse magoado ou infeliz, eu faria. Minha maior alegria era saber que alguma menina da idade dele o estava flertando, ou saindo com ele. Não sentia ciúmes e nunca senti, apenas uma felicidade imensa por saber que alguém o estava fazendo sorrir, o estava fazendo mostrar aquele sorriso encantador.
Hoje já não temos tanto contato, eu já não entro tanto na internet como antes, e ele também não entra. Mas sabe aquelas pessoas com as quais você tem uma amizade tão boa, que mesmo depois de dias sem se falar, parece que conversaram ontem? Então, assim que me sinto em relação a ele. Ele é meu melhor amigo, o amor que eu esperei por 28 anos e que me apareceu na figura de um menino de 17, com um coração imenso e uma espontaneidade maravilhosa.
Talvez eu ame outros no futuro quem sabe, talvez aos 70 eu ainda me lembre dele cantando Moonlight Serenade, encabulado por causa da letra romântica, que eu insistia para que ele cantasse pra mim, mesmo sabendo que ele odiava esse momento. Ou talvez numa manhã qualquer, eu descubra que tudo isso não passou de uma ilusão. Quem sabe...
Eu acredito em um amor para vida toda, um amor que o casal não se sinta triste por ser fiel, mas feliz por estar com alguém que o completa de todas as formas, um amor recíproco, um amor verdadeiro, um amor que não se explica, se sente.

Daiane Jances

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