Páginas

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Amor e amizade não se imploram



Acho que das coisas que mais doem na vida da gente, se distanciar de um amigo ou um amor é uma delas. Com o tempo a gente passa a ver toda uma rotina indo embora, todos os planos sendo destruídos, toda uma centena de projetos que incluía a outra pessoa, acaba virando poeira. Algumas vezes de forma abrupta, com uma discussão entre ânimos exaltados, que acabam falando além do que deviam, magoando a outra parte e deixando um vazio irreparável.
Mas acho que a forma mais cruel da separação das pessoas, é aquela que é imposta pelo silêncio. Aquela onde não há palavras, nenhum recado na secretária eletrônica, nenhum sms de bom dia e nem o famoso 'oi' nas redes sociais. É o silêncio que fala, que diz que não somos mais bem vindos, que a nossa presença já não agrada e nossas palavras não são aceitas. É o tipo de separação que não te dá chance de resposta, pois a outra parte finge não te ver. E sermos especiais numa hora e invisíveis em outra dói.
Dói não saber onde erramos, o que dissemos que causou alguma mágoa. Dói ouvir aquela música que antes cantávamos em alto tom, e saber que a outra pessoa já tem outra trilha sonora. Dói acordar de manhã e sentir um vazio, e saber que por não termos mais aquela pessoa em nossa vida, esse vazio vai se prolongar milhares de vezes.
Mas infelizmente amor e amizade a gente não implora. Não podemos fazer com que alguém nos ame, na mesma intensidade nossa. O sentimento que as pessoas nutrem por nós é como um passarinho; não podemos apreendê-lo numa gaiola e impedi-lo de nos deixar. Podemos fazer que as pessoas se sintam bem ao nosso lado e tenham motivos para voltar ao nosso ninho. Mas se não se sentem mais felizes conosco não há nada que possamos fazer.

Daiane Jances

0 comentários:

Postar um comentário