
Já dizia um poeta: "saudade é um pouco como fome, só passa quando se come a presença". Mas e quando não há a presença se faz o quê? Se a saudade fosse de alguém perto, que a gente atravessa a rua e dá na frente do portão, mas não, com tantas pessoas no mundo você tem que sentir saudade de alguém a milhares de quilômetros. E ainda por cima, um tipo de saudade mais diferente ainda, aquela que você sente sem nunca ter tido a oportunidade de experimentar. Parece coisa de doido, e talvez um dia a ciência explique, mas sinto saudade do que não tive, de estar perto de alguém de quem nem ao menos sei o perfume (será que cheira bem?), beijos que não experimentei, mãos que nunca toquei, carinhos que não recebi. Coisa de menina adolescente né? Seria se eu não estivesse na casa dos 30. E antes que digam que não tive adolescência, retifico que tive sim, talvez não tão aproveitada como a de meninas de hoje em dia, mas aproveitei na medida que minha timidez me permitiu. Saudade de ouvir a voz, a risada gostosa, a respiração compassada ao fundo no telefone. Saudade de passar horas e horas conversando, aquela conversa gostosa que começa com física quântica e termina no Bob Esponja, sem eira nem beira, mas com um envolvimento sem igual.
É... saudade é como fome mesmo. Deixa um vazio, uma sensação ruim, parece que o dia não está completo, como se a gente esquecesse algo importante e não soubesse o quê. Talvez a gente até saiba o que, a gente esqueceu o coração em algum lugar, um lugar bem distante da gente, onde nunca estivemos, onde talvez um dia a gente nem vá estar, ou vá, só o tempo pode dizer. Esquecemos nosso coração na mão de alguém, essa pessoa a milhares de quilômetros. E tomara que ela cuide bem dele até nos devolver, até a gente matar essa fome, essa fome de codinome "saudade".
Daiane Jances
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